Algo sobre mim...

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Pessoa muito inquieta, que tem urgência em viver. Não é qualquer vida que me serve. Intensidade e verdade precisam estar presentes... Isso é que me move, me encanta, me estimule, me faz feliz!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

FELIZ ANO NOVO!!!


Tá bem... Você pode dizer que "ano novo" é um mero movimento de translação da Terra... ok!
Maaaaaas... não custa tentar ser mais otimista e "normal" e pensar que a mudança do calendário possa trazer consigo algo mais que 365 dias à sua vida, e sim, novas oportunidades, forças renovadas, encontros inusitados e, - por que não? - dias mais felizes!

E, dentro desse espírito, que tal aprender umas "mandingazinhas"...? Isso: as famosas SIMPATIAS!!!

Tomara que você não resista, e faça alguma(s) delas... e tenha MUITA, mas MUITA SORTE em 2011!

Só não se esqueça que as coisas só dão certo MESMO se você andar com FÉ!
Afinal, como Gil já nos ensinou: "Andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiá"...

                FELIZ ANO NOVO, DE TODO CORAÇÃO...!





 Cores certas para usar na noite de Réveillon

. Roupa branca: Indicada para se ter um ano inteiro de paz.
. Roupa amarela: Usar calcinha ou cueca nova dessa cor chama dinheiro.
. Roupa vermelha: (Qualquer peça ou mesmo esmalte de unhas) para se ter muita energia e ânimo no novo ano.
. Roupa verde: (Qualquer peça) atrai saúde e a renovação da vida e dos ciclos.

Para ganhar dinheiro
 À meia-noite em ponto, coma 12 uvas verdes ou uma romã. A cada bago de uva, mentalize um mês do ano com muito dinheiro. Guarde os caroços e uma folha de louro na sua carteira de dinheiro. Para conquistar um grande amor

Se for mulher, use peça de roupa cor-de-rosa; se for homem, vermelho para atrair paixão. E coma doces mentalizando um grande amor.

Para ter proteção espiritual

Coloque lençóis novos, sem uso, em sua cama e peça proteção ao seu anjo da guarda. Durma sobre eles e lave-os no dia seguinte. Para ter paz

Vista-se com alguma peça branca. A cor representa luz, pureza, bondade e serenidade. Reze o Pai-Nosso com bastante fervor e agradeça antecipadamente a Deus pelo ano que será de paz. Para abrir seus caminhos

Compre as ervas vence-demanda, olho-grande, afasta-inimigo e abre-caminho. adquira um defumador em loja de artigos religiosos (o tablete com 20 unidades custa, em média, R$ 3) e defume, com muito cuidado, a casa inteira, principalmente o quarto em que você dorme. Depois, acenda uma vela para o seu anjo da guarda e peça que ele mantenha seus caminhos abertos e iluminados.

Para ter saúde e proteção
Prepare um banho com ervas aromáticas, que afastam as más energias causadoras de doenças. Sugiro boldo, guiné, arruda e alecrim do campo. Misture-as com as mãos e coloque para ferver com água suficiente para encher um balde. Coe e espere amornar. Em seguida, jogue a mistura sobre a cabeça durante o banho. Outra opção é plantar mudas dessas ervas no quintal da sua casa. Elas criam uma barreira contra as más energias.

Ganhe dinheiro e um emprego novo
Ferva um punhado de lentilhas e coloque sobre um prato branco. Por cima, despeje três moedas: uma de cobre (como as de 5 centavos), uma de prata (como as antigas de 10 centavos) e uma dourada (de 25 centavos). Ao lado do prato, acenda uma vela de sete dias. Enquanto acende a vela, pense nas realizações financeiras e profissionais que você deseja para o próximo ano.

Garanta paz e tranqüilidade
Compre um buquê de rosas brancas. No dia 31, segure as rosas na mão e ande por todos os cômodos da casa, em silêncio. Pense em situações que você aprecia e nos momentos mais felizes da sua vida e deseje revivê-los no Ano-Novo. Antes da virada, coloque essas rosas no pé de uma árvore ou no mar. Outra maneira de fazer a simpatia é tomar um banho de rosas brancas na véspera do Réveillon.

Arranje uma paixão ardente
Vista uma roupa rosa bebê na virada do ano. Amarre uma fita de cetim da mesma cor no braço direito. Se tiver uma pessoa em mente, escreva o nome dela inteiro na fita. Reforce a simpatia acendendo uma vela branca de sete dias sobre um pires branco cheio de açúcar e mel. Enquanto acende a vela, reze um Pai-Nosso ou uma Ave-Maria e peça para encontrar um novo amor.

Encontre a vela mais indicada para o Ano Novo
Acender velas brancas no Réveillon para pedir paz é uma tradição. Mas é possível usar velas coloridas para atingir outros objetivos. Se a intenção é viver novas paixões no ano que se inicia, as velas vermelhas são as mais adequadas. Acenda velas rosas para melhorar um namoro ou amizade. Se quiser um emprego novo, use velas azuis ou lilás. As velas amarelas são indicadas para quem quer mais dinheiro e as verdes ajudam a curar doenças. Prefira velas aromáticas ou acenda um incenso para atrair bons fluidos.


domingo, 26 de dezembro de 2010

Coisas finitas... coisas infinitas...

Tenho muita dificuldade em guardar coisas, tanto na memória, quanto acumular papéis e objetos, mesmo.

Por isso, tudo aquilo que permanece é porque teve/tem um significado muito, muito grande em minha vida... Tocou-me profundamente MESMO!

É o caso deste texto, publicado na "Folha de São Paulo", no caderno "Dinheiro", num domingo - 21 de março de 2004 - de autoria de Luís Nassif, que passarei a digitar e compartilhar com vocês...


O mal que um dia acaba

"Meus dois melhores amigos estão desempregados. À minha volta, por onde olho, vejo o desemprego. Com ele, o desalento, a sensação de fracasso, especialmente de pais obrigados a diminuir o padrão de vida dos filhos.
Outro dia conversei com um pai que precisou tirar os filhos de um colégio particular para colocá-los em uma escola pública. No meu tempo, significava perda de status. Hoje em dia, é perda de formação. É estranho o processo de desmeprego na classe média. Ao contrário das classes mais pobres, não se passa o supremo martírio da fome, da falta de teto. Sempre há um bico para se virar, um parente a quem recorrer.
Com as classes populares, o jogo é outro. Outro dia, no prêmio Ayrton Senna, concorreu uma foto de Pernanmbuco, de um despejo comandado pela Polícia Militar. No primeiro plano, uniformes e cassetetes, emoldurando a cena principal, de um negro, alto, forte, olhos fechados, crispados pela impotência, carregando uma filha no colo, com a mão direita, a esquerda abraçando outra filha, que chorava desesperada. O educador Rubem Alves reparou no detalhe significativo, de que o braço do pai abrigava a menina, e a mão, calejada, tocava delicadamente seu braço.
Com a classe média o drama é diverso, mas o sentimento de impotência é similar.
Quando meu pai deu início à venda de seus bens, toda semana ia à casa da minha tia Zélia para jantar e ouvir as últimas notícias de Poços. Só havia más notícias. A venda da chácara, da casa do tio Léo, do carro, da casa nossa, depois da farmácia. Nesse meio tempo, as irmãs mais novas tendo que sair do colégio São Domingos, de classe média, para uma escola pública de São Paulo. Depois, um período morando com nossos avós.
A notícia das meninas sendo tiradas da classe do colégio por falta de pagamento, depois a vinda para São Paulo, cada capítulo era como se o chão fosse cedendo, abrindo um buraco cada vez mais fundo em nossas vidas.
Uma manhã, seis e pouco da matina, sonhei que meu pai havia telefonado pedindo para juntar um dinheiro para quitar uma dívida urgente. Acordei sobressaltado pelo telefone tocando na sala da casa dos meus avós, onde dormia. Atendi, era meu pai fazendo o apelo que eu pressentira em sonho. Os tios se cotizaram e mandaram o dinheiro para o cunhado, em retribuição pelo muito que fizera por todos.
Sofria, menos pelo que eu passava, mais pelo que eu supunha que as meninas estivessem passando. Achava que as marcas daquele período ficariam indelevelmente em nossas vidas.
Levou muito tempo para entender a lógica do processo e perceber a dosagem de sofrimento inútil pelo qual passara.
Esses períodos parecem não ter fim, a cada notícia ruim sucede outra. Vai se acostumando tanto com as notícias ruins que, pouco a pouco, o quadro começa a mudar, pinta uma boa nova aqui, outra acolá, depois mais e mais notícias boas, mas se demora para perceber a mudança. A volta do equilíbrio, a consolidação da paz vai se dando aos pingos e, desacostumados como o novo quadro, fica-se à espera de uma nova notícia que recoloque o pesadelo no lugar do sonho.
Até que se acorda em uma manhã e se vê o céu azul, ou que provavelmente estava azul já há algum tempo, mas sem que a gente se desse conta.
E aí, se constata que, em vez de desagregar a família e deixar sequelas, aqueles anos de privação, de incerteza, de insegurança em relação ao futuro, produziram fortalecimento, uma têmpera que ajudou a todos a percorrer com firmeza todas as dificuldades futuras. O sentimento de família se consolidou, o caráter completou, assim como o hábito de não dar importância ao supérfluo, mesmo depois que a vida se ajeitou.
Só no final do processo se percebe a lógica e se tiram as lições. E se constata que, nesses tempos de globalização e de falta de princípios, nesses tempos de Nizan Guanaes e do pobre Zeca Pagodinho, da perda de identidade nacional e de princípios éticos básicos, a grande âncora continua sendo uma instituição milenar, a família, velha de guerra. Que Deus guarde nossos pais e proteja para sempre nossas crianças".












                                                                           

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Minha cidade é SHOW!!!

"Alguma coisa acontece no meu coração,
que só quando cruzo a Ipiranga e a avenida São João"...

Essa "coisa" é orgulho!
Claro que sei de tudo o que se passa aqui, e que nos desgasta, altera e piora a qualidade de vida dos habitantes... Mas sobre os problemas, não faltam vozes a esbravejar. Não quero ser mais uma!
Quero enaltecer a cidade que eu amo, onde vivo e onde quero morrer.
Aqui, acontecem diariamente as coisas mais estapafúrdias do mundo (para o bem e para o mal...). Em compensação, não há etnia, religião, tribo, país do mundo, que não tenha sua representação garantida e seu povo acolhido em São Paulo! Fato. Pesquisa recente, colocou a nossa como uma das cidades mais acolhedoras do mundo. Mas isso é uma outra história... Fico empolgada e não pararia de tecer elogios tão cedo se não me "policiar"!
O que eu queria contar é o seguinte: o Metrô de São Paulo disponibilizou um espaço, nas estações Consolação e Brás,  para oito professores de matemática e português tirarem dúvidas de usuários que passam pelo local! O serviço funciona numa sala de 50 metros e em uma semana havia atendido cerca de 100 pessoas. Muitos são alunos universitários, outros são pessoas que prestarão concursos públicos.
Os resultados estão sendo tão positivos que, até o final do ano, as estações Santana, Tatuapé e Cidade Universitária também ganharão seu tira-dúvidas!
Minha cidade é ou não é um SHOW???

domingo, 10 de outubro de 2010

Os sem-tato


Eles só se conhecem através das letras frias e das imagens do msn, do orkut, do facebook, do e-mail, do sms.
Eles inventam o cheiro e o gosto um do outro. Morrem de saudades.
Eles são os SEM-TATO. O amor do século XXI.
Pobre amor...

sábado, 9 de outubro de 2010

Da qualidade das relações


Há alguns dias fui localizada, via Internet, por ex-colegas do ensino médio, ou seja, pessoas que participaram de minha vida há 34 anos atrás...!!! Esse é, sem dúvida, o lado fascinante da tecnologia; a ciência e o progresso a favor do homem e de sua HUMANIZAÇÃO... Reencontros e encontros que jamais seriam possíveis se o Orkut, Facebook, Google, e-mail não existissem.
Bem, graças a essa parafernália nos localizamos e, obviamente, marcamos um encontro físico, pessoal, pois somos daquele tempo em que nada substituía o "olho no olho", a pele na pele: o abraço, o beijo, o cheiro...
Como o encontro ainda não ocorreu, não posso contar nada. Mas me aguardem, pois certamente ele será alvo de comentários, fotos, sensações que postarei aqui nesta outra maravilha virtual, chamada BLOG... (preciso confessar que estou irremediavelmente apaixonada por esse "Coisas da vida"...).
Enquanto aguardamos ansiosos pelo dia desse reencontro, temos trocado e-mails, postagens no Facebook e pude perceber que estamos todos à vontade, como quem continua de onde parou... As brincadeiras e os relacionamentos fluem de maneira muito próxima, afetiva, "íntima", como se mais de 30 anos não nos separassem! 
Isso me fez pensar em tantas coisas para as quais não encontrei explicação, no que tange à qualidade das relações. Estaria eu idealizando as amizades antigas, porque elas encontram-se apenas na memória, e temporalmente muito distantes? Ou esqueci-me de todos os aspectos negativos que possa ter vivenciado, e passei a valorizar só o que houve de positivo (memória seletiva)?
Não admiti nenhuma dessas hipóteses, após muito analisar. Minha geração foi realmente privilegiada! Talvez por conta do contexto histórico dos anos 60-70, de repressão, censura e outros "bichos", tivéssemos que ser mais criativos para nos expressarmos e mais unidos para nos protegermos... Tínhamos uma vida cultural tão fervilhante, intensa! Cada pessoa tinha uma "marca registrada" no seu jeito de vestir, na sua aparência, nas preferências... Não éramos "pasteurizados" e a mídia não ditava comportamentos, modinhas, gosto musical goela abaixo! Tudo era devidamente questionado, selecionado.
Havia moças de cabelos cacheados, lisos, pixaim; usava-se minis, midis, máxis. Cada uma com seu estilo, muita personalidade em tudo... Por isso, creio eu, essa sensação de "complementaridade" que um causava no outro. Por isso aprendíamos e ensinávamos tanto, uns aos outros. E o jeito de ser, tão especial, tão único, fez com que jamais nos esquecéssemos e desejássemos nos rever, e "beber daquelas águas" novamente... Sabemos com quem vamos nos reencontrar.
E, comparativamente, o que percebo hoje, preponderantemente, são relacionamentos baseados na conveniência, na "utilidade", no transitório, no instantâneo, no efêmero, no superficial... Isso me choca, me incomoda, me deprime e me assusta! Parece que as pessoas "tramam" umas contra as outras. É muito estranho... Há pouca transparência e é preciso muito cuidado para não se cair em armadilhas, chantagens, segundas intenções, maledicências, verdadeiros "golpes"! Surpreendo-me a cada dia com esse tipo de comportamento, e vivo desconfiada, pois sei que não sou boa para conspirar contra outros, e não sei como essas mentes funcionam! Sou presa fácil, digamos assim...
Desse modo, igual a tudo na vida, a Internet pode ser o Céu, e trazer seus melhores amigos de volta à sua vida, ou o Inferno da invasão de privacidade, do golpismo, da desilusão com o ser humano, do encontro de um verdadeiro submundo...
"É preciso estar atento e forte", como dizia Caetano, na voz de Gal... Ah, maravilhosos anos 70, que não voltam mais (mas quea Internet fazia falta... ah, isso fazia, viu?)! Vai entender...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

ETERNAMENTE PAGU


Bem antes de virar Pagu, Zazá, como era conhecida em família, já era uma mulher avançada para os padrões da época, pois cometia algumas “extravagâncias” como fumar na rua, usar blusas transparentes, manter os cabelos bem cortados e eriçados e dizer palavrões. Nada compatível com sua origem familiar. O apelido Pagu foi dado por Raul Bopp, a partir de um engano. Dedicou-lhe um poema, imaginando que seu nome fosse Patrícia Goulart e fez uma brincadeira com as primeiras sílabas do nome.
Foi militante política e escritora; uma mulher ligada às artes, musa do Movimento Modernista de 1922.
Inspirada, apaixonada, engajada, inquieta...
Este ano, comemora-se o centenário do nascimento de Pagu (1910 - 1962). Deixo minha homenagem, postando um texto de sua autoria, com o qual muito me identifico...

Normalinhas
As garotas tradicionais que todo mundo gosta de ver em São Paulo, risonhas, pintadas, de saias de cor e boinas vivas. Essa gente que tem uma probabilidade excepcional de reagir como moças contra a mentalidade decadente, estraga tudo e são as maiores e mais abomináveis burguesas velhas.
Com um entusiasmo de fogo e uma vibração revolucionária poderiam se quisessem, virar o Brasil e botar o Oiapoque perto do Uruguai. Mas D.Burguesia habita nelas e as transforma em centenas de inimigas da sinceridade. E não raro se zangam e descem do bonde, se sobe nele uma mulher do povo, escura de trabalho.
A gente que as ve em um bandinho risonho pensa que estão forjando algumas coisa sensacional, assim como entrarem em grupo na Igreja de S. Bento, derrubar altar, padre estoia, sacristia...Nada disso. Ou comentam um tango idiota numa fita imbecil ou deturpam os fatos escandalosos, de uma guria mais sincera, em luta corporal com o controle cristão. Agrupam-se para abandoná-la. A camarada tem de andar sozinha...É uma imoralidade...Ao menos se fizesse escondido...
É isso mesmo o que elas fazem.Eu que sempre tive a reprovação delas todas; eu que não mentia, com as minhas atitudes, com as minhas palavras, e com a minha convicção; eu que era uma revolucionária constante no meio delas, eu que as aborrecia e as abandonava voluntariamente enojada de sua hipocrisia, as via muitíssimas vezes protestar com violencia contra uma verdade, as via também com o rosto enfiado na bolsa escolar e pernas reconhecíveis e tremulas subirem a baratas impassíveis para uma garçoniére vulgar.
Ignorantes da vida e do nosso tempo! Pobres garotas encurraladas em matinés oscilantes, semi-aventuras, e clubes cretinos.

A variadas umas pelas outras, amedrontadas com a opinião, azoinando preconceitos e corvejando disparates, se recalcam as formadoras de homens numa senda inteiramente incompatível com os nossos dias. E vão estragar com os ensinamentos falsos e moralistas a nova geraÇão que se prepara. É caso de polícia! O governo como bom revolucionário que se diz, devia intervir com uma dezena de grilos numas visitinhas pela casa corruptora.
Com uma dúzia de palmadas elas se integrariam no verdadeiro caminho.

Acho bom voces se modificarem pois que no dia da reivindicação social que virá, voces servirão de lenha para a fogueira transformadora.
Se voces, em vez de livros deturpados que leem, e dos beijos sifilíticos de meninotes desclassificados, voltassem um pouco os olhos para a avalanche revolucionária que se forma em todo o mundo e estudassem, mas estudassem de fato, para compreender o que se passa no momento, poderiam com uma convicção de verdadeiras proletárias, que não querem ser, passar uma rasteira nas velharias enferrujadas que resistem e ficar na frente de uma mentalidade atual como autenticas pioneiras do tempo novo.

Voces também querem que nem os seus coleguinhas de Direito, trocar bofetões comigo?

Pagu, O Homem do Povo, número 8, segunda-feira, 13 de abril de 1931

Sobre xícaras de chá e delicadeza


AlGuMas fraSes dE GuImaRãEs RosA



"O homem nasceu para aprender, aprender tanto quanto a vida lhe permita."

"Saudade é ser, depois de ter."


"O amor é sede depois de se ter bem bebido."

"Esperar é reconhecer-se incompleto."

"Infelicidade é questão de prefixo."

"Quando escrevo, repito o que já vivi antes. E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente. Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser um crocodilo porque amo grandes rios, pois são profundos como a alma de um homem. Na superfície são muitos vivazes e claros, mas nas profundezas são tranquilos e escuros como o sofrimento dos homens."

"Mas quem é que sabe como? Viver... o senhor já sabe: viver é etcétera..."

"Eu não sei quase nada, mas desconfio de muita coisa".

"A colheita é comum, mas o capinar é sozinho".

"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem."

"As pessoas não morrem, ficam encantadas."

"Passarinho que se debruça - o vôo já está pronto!"

"Qualquer amor é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura."

"Ah, não; amigo, para mim, é diferente. Não é um ajuste de um dar serviço ao outro, e receber, e saírem por este mundo, barganhando ajudas, ainda que sendo com o fazer a injustiça dos demais. Amigo, para mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e os todos sacrifícios. Ou - amigo - é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por quê é que é."

"Porque a cabeça da gente é uma só, e as coisas que há e que estão para haver são demais de muitas, muito maiores diferentes, e a gente tem de necessitar de aumentar a cabeça, para o total."

"Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende."

""Vida" é noção que a gente completa seguida assim, mas só por lei duma idéia falsa. Cada dia é um dia."

"Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas."

"Viver é negócio muito perigoso."

"Raiva tampa o espaço do medo, assim como do mêdo raiva vem."

terça-feira, 5 de outubro de 2010

APAIXONAR-SE é preciso...


" Muitas pessoas têm um amante e outras gostariam de ter um. Há também as que não têm, e as que tinham e perderam. Geralmente, são essas últimas que vem ao meu consultório, para me contar que estão tristes
ou que apresentam sintomas típicos de insônia, apatia, pessimismo, crises de choro, dores etc.
Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar seu tempo livre. Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança. Antes de me contarem tudo isto, elas já haviam visitado outros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme:
"Depressão", além da inevitável receita do anti-depressivo do momento. Assim, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que não precisam de nenhum anti-depressivo; digo-lhes que precisam de um AMANTE!!!
É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem meu conselho. Há as que pensam:
"Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas"?! Há também as que, chocadas e escandalizadas, se despedem e não voltam nunca mais.
Aquelas, porém, que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico o seguinte: "AMANTE" é aquilo que nos "apaixona", é o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono, é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir.
O nosso "AMANTE " é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e amotivação da vida.
Às vezes encontramos o nosso "AMANTE" em nosso parceiro, outras, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis. Também podemos encontrá-lo
na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto....
Enfim, é "alguém!" ou "algo" que nos faz "namorar a vida" e nos afasta do triste destino de "ir levando"!..
E o que é "ir levando"? Ir levando é ter medo de viver. É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos,
afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva. Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje, fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão, de que talvez possamos realizar algo amanhã.
Por favor, não se contente com "ir levando"; procure um amante, seja também um amante e um protagonista
... DA SUA VIDA!
Acredite: o trágico não é morrer, afinal a morte tem boa memória, e nunca se esqueceu de ninguém. O trágico é desistir de viver...
Por isso, e sem mais delongas, procure um amante!A psicologia após estudar muito sobre o tema,
descobriu algo transcendental:


PARA  ESTAR SATISFEITO, ATIVO
E SENTIR-SE JOVEM E FELIZ,
É PRECISO NAMORAR A VIDA".


(Jorge Bucay - Psicólogo)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Antes tarde do que nunca!

Local: São Paulo, capital. A secretaria de uma escola.
Data: início dos anos 70... creio que 1974.
Personagens: duas moças, cheias de alegria, sonhos, desejos.
Moça número 1: Rita, secretária da escola. Descolada, super simpática, bonita, inteligente, determinada, madura, charmosa, livre. Daquela liberdade que salta aos olhos... Bem dona de si e de sua vida. Inspira confiança, lealdade, sinceridade, admiração. Alguém que você percebe que veio para ficar em sua vida, e que a modifica para melhor.
Moça número 2: Sônia. Ela pensou: "quando crescer, quero ser igual a Rita!".

Corte.

36 anos se passaram. Estamos em 2010, São Paulo, capital.
Muita coisa mudou... Menos uma: a Sônia continua querendo ser a Rita, quando crescer!


Família linda...


domingo, 3 de outubro de 2010

A poesia é uma prece...

                          
                                                                         AMÉM!

As rosas falam... e muito!



Cartola que me perdoe, mas as rosas falam... e muito!!!
Meu Deus... qual mulher nessa Terra, resiste a um buquê de rosas??? Se for mulher, mulherzinha mesmo, nenhuma! É um momento único... um momento de musa, de diva, de deusa! Deus fez as rosas para dar ao macho a possibilidade de arrebatar o coração de sua eleita, de modo definitivo e irreversível. É isso!
Coloque seus olhos num buquê de rosas vermelhas... Agora, imagine esse buquê nas mãos de seu amado, vindo em direção a você, para entregá-las... Pronto? Agora, ele sorri, olha nos seus olhos e diz as palavras mágicas: EU TE AMO! É posssível duvidar desse amor?
Pronto, já fiz meu exercício diário de sonhar... um sonho de amor!
Agora, sem mais, ofereço algumas rosas para você! Delicie-se...

                                                 
 Sonhe...


     Aprecie...


    Encante-se...


        "Simplesmente as rosas exalam
          o perfume que roubam de ti"...

                                        
                                                                             
                                                                              
                                                                             
                                                                             

Eleição = Democracia??? Será...?


No início dos anos 80 (tempos felizes!) havia um programa de entrevistas EXCELENTE na tv, comandado por Roberto D' Ávila, chamado "Conexão Internacional". O jornalista realizava fantásticas conversas com seus convidados (onde esses - os entrevistados - é que brilhavam e FALAVAM, diferentemente do que vemos hoje, quando os entrevistadores se utilizam dos interlocutores como "escadas", para fazerem sua fama e piadinhas...).
Pois bem, um desses inesquecíveis encontros de D' Ávila foi, nada mais, nada menos, com Fidel Castro. À época, estávamos todos esbravejando aqui no Brasil, pois queríamos "Diretas já" (quem tiver mais de 40 anos, sabe do que estou falando...).
Perguntado sobre o tema eleição, o "comandante" disparou algo assim (infelizmente não é literal): "Eleição para quê? Para escolher quem é o mais bonito, quem fala melhor? E quanto gasta-se nesse processo?"... Hummm... Após alguns anos, essas questões calaram fundo em mim, reverberaram... e ele me convenceu de que não passa disso mesmo!
Tratamos o fato de haver eleição como um sinônimo "em si" de democracia, e não é assim que ocorre! A democracia (que tornou-se uma palavra abstrata, relativa, usada como o nome de Deus, ou seja: em vão...) pressupõe muito mais coisas ao meu entender, que transcendem o mero gesto de votar... Perdi a fé e a esperança DE VEZ, depois que as eleições diretas se estabeleceram em nosso país!
Senti-me traída pelo "LULA-LÁ", sabem...? Meu voto não serviu à revolução na EDUCAÇÃO, nem na saúde! Só ajudou a entrarmos num tempo em que os bancos tiveram mais lucros do que nunca... num tempo em que o sistema financeiro riu à toa... e que o Cristóvão Buarque (ex-ministro da Educação, uma grande esperança daquilo que eu esperava daquele governo!) foi demitido por telefone, estando em outro continente (lembram-se disso?), pois apoiara uma greve de estudantes pela melhoria da educação... Que tristeza, que traição!
Hoje, dia 03 de Outubro de 2010, declaro aqui meu voto:

VOTO EM VOCÊ, FIDEL!

sábado, 2 de outubro de 2010

Uma pausa para o chá...


chá em chávena chinesa
lençóis de linho
jardins ingleses
sonatas em pianos tristes
damas trágicas

dispenso o cenário da realeza
a nobreza inteira
se resume em uma criatura
- meu chá, lençol, jardim e sonata

o vento do desejo assola
meus pêlos e alma
secretos caminhos
em chama clamam:
o chá, o jardim e a sonata.


(Bárbara Lia)

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Será que TUDO já foi dito?

                                                                                 
Tenho lido muito ultimamente, e me assustado... Parece que não resta mais nada a ser dito! Você já se sentiu assim? Estaria eu numa crise profunda de criatividade, que não consigo ter uma "novidade" para contar...? É espantoso como me deparo com a narrativa de vivências, sentimentos, hipóteses e constatações tão semelhantes às minhas... Sabe aquela coisa de você ler algo e pensar: "eu poderia ter escrito isso", "eu sinto isso", "já passei por esta situação"!

Que vazio isso me dá! Que tédio! Quem tem uma novidade para me contar???

Só tenho a acrescentar um trecho do poema de Drummond:

"Mundo, mundo, vasto mundo...
Se meu nome fosse Raimundo seria uma rima,
Não uma solução"...


"Não tenho mais os olhos de menina


nem corpo adolescente, e a pele


translúcida há muito se manchou.


Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura


agrandada pelos anos e o peso dos fardos


bons ou ruins.


(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)


O que te posso dar é mais que tudo


o que perdi: dou-te os meus ganhos.


A maturidade que consegue rir


quando em outros tempos choraria,


busca te agradar


quando antigamente quereria


apenas ser amada.


Posso dar-te muito mais do que beleza


e juventude agora: esses dourados anos


me ensinaram a amar melhor, com mais paciência


e não menos ardor, a entender-te


se precisas, a aguardar-te quando vais,


a dar-te regaço de amante e colo de amiga,


e sobretudo força — que vem do aprendizado.


Isso posso te dar: um mar antigo e confiável


cujas marés — mesmo se fogem — retornam,


cujas correntes ocultas não levam destroços


mas o sonho interminável das sereias".


(LYA LUFT)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Aceita um cafezinho...?

Há alguns anos, todos os sábados pela manhã (nem tão cedo, mas manhã...)  meu marido e eu  fazemos um verdadeiro "tour" por diversas cafeterias do centro histórico de São Paulo (cafeterias de um tempo em que nem era moda; era "nossa moda", apenas...). Embora acabemos indo aos mesmos lugares diversas vezes, (inserindo lugares novos, pois a experimentação faz parte de nós!), temos sempre um novo olhar, pois, para quem é perspicaz, as coisas estão em mutação! Colocamos a conversa em dia, nos divertimos, falamos bem e mal dos outros (rs), namoramos e alimentamos nosso casamento de quase 30 anos com esse delicioso cafezinho! Será que os cientistas já conhecem essa propriedade do café (manter casamentos)...?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010


"Autoridades da Província de Kunduz, no Afeganistão, afirmaram nesta segunda-feira que um homem e uma mulher foram executados a pedradas em um vilarejo sob controle da milícia islâmica Taleban. Ambos foram executados após serem acusados de ter um caso".

(Fonte: BBC Brasil)

Vem cá... Que mundo é esse, hein...? Essas pessoas foram apedrejadas até a morte por que se amaram? É isso mesmo???

Ah... não se amaram! Hum... era só sexo! Entendi... E as pessoas que as apedrejou nunca fizeram? Nunca quiseram fazer sexo? Já amaram algum dia? Elas não fazem nada de "impuro"? Quem lhes colocou acima do bem e do mal para ficar julgando e condenando à morte os seus semelhantes? Está nas "escrituras"...? Que "deus" é esse o delas???

Ah... se eu fosse Deus estaria é muito brava de utilizarem meus ensinamentos dessa forma!!! E como castigo, faria com que descesse sobre este povo o espírito do contrário, e eles passariam a se amar e fazer amor em praça pública...

domingo, 15 de agosto de 2010

Meu amor d' alfazema


Meu amor d’alfazema
De alecrim e rosmaninho
Queria fazer-te um poema
Mas perco-me no caminho


Nossa Senhora das Dores
Meu raminho d’oliveira
Eu ando cega d’amores
Não me cureis a cegueira

Nossa Senhora das Dores
Sede a minha padroeira
Entra em mim um mar gelado
Em dias que te não vejo
Sou um barco naufragado
Mesmo sem sair do Tejo

Ai de mim que ando perdida
Que ando perdida de amores
Perdida entre temores
Perdida entre as marés

Ai de mim fico perdida
Se deixas de ser quem és
Tens mãos macias de gato
Meio manso meio bravio
Olhas às vezes regato
Outras mar e outras rio

(Amália Rodrigues)

sábado, 14 de agosto de 2010

A casa-lar

Era longa a distância que os separava. E por saberem que jamais sequer se tocariam, acabaram, por assim dizer, criando um tempo e espaço próprio. Nesse local, se encontravam, se olhavam, se beijavam, se acariciavam, descobriram seu cheiro, seu gosto... e resolveram morar ali: um dentro do outro.



Acasalamento.
A casa-lar.
Há casal lá dentro.
Casamento...

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Qualquer maneira de amor vale a pena...


Suzana, 42 anos, arquiteta, foi casada três vezes e está separada há cinco anos. Sua última separação ocorreu quando ela percebeu que, além do marido, amava outro homem. Apesar de não desejar a separação, não teve outro jeito. O marido não aceitou essa situação. Tiveram sérias brigas e a ruptura não foi nada tranquila. A partir daí, Suzana decidiu mudar o padrão de sua vida amorosa. “Não quero mais saber de ter um único parceiro fixo e estável para tudo, e ter uma vida cheia de regras. Não estou mais disposta a me enquadrar em nada. Agora, me tornei adepta do poliamor. Acredito que, da mesma forma que amamos vários filhos e amigos, podemos ter relações amorosas/sexuais com várias pessoas ao mesmo tempo.”

Muitos se surpreendem com o relato acima. Entretanto, sabemos que o amor é uma construção social. Quando analisamos a sua história constatamos que os comportamentos amorosos e as expectativas em relação à própria vida a dois variam de época e lugar. Há enormes diferenças, por exemplo, entre o amor vivido na Grécia clássica, na Idade Média, no século XVIII e na atualidade.

A partir da primeira metade do século XX, temos sido regidos pelo mito do amor romântico. Este tipo de amor, calcado na idealização do outro e na ideia de fusão entre os amantes, na qual um só tem olhos para o outro, deixa de ser atraente. Está surgindo uma nova dimensão do amor, onde há mais troca e tentativa de um equilíbrio, sem sacrifícios. As fantasias do amor romântico se baseiam na dependência entre os amantes. Por essa razão, elas não conseguem mais satisfazer os anseios daqueles que pretendem se relacionar com seus parceiros como eles são e viver de forma mais independente.

Concordo com o psicanalista Jurandir Freire Costa quando diz que “o amor erótico não é apenas uma atração sexual acompanhada de sentimentos ternos — enlevo, carinho, preocupação, cuidado, dedicação, devoção etc.— ou violentos — desejos de posse exclusiva, ciúmes, desconfianças, rivalidades etc. Pensar no amor dessa maneira já faz parte do aprendizado amoroso, pois significa estar convencido de que ele foi sempre o que é hoje, ou seja, uma emoção sem memória e sem história.”

Acredito que a tendência seja o desejo de viver um amor baseado na amizade. Para isso são necessárias novas estratégias, novas táticas por meio de experiências nunca antes tentadas. O amor romântico começa a sair de cena, levando com ele a idealização do par amoroso, com a ideia dos dois se transformar num só e, consequentemente, a exigência de exclusividade. Com isso, abre-se a possibilidade de se amar e de se relacionar sexualmente com mais de uma pessoa ao mesmo tempo. O poliamor deve ampliar, portanto, o espaço que ocupa na vida amorosa do mundo ocidental.

No poliamor as pessoas podem estabelecer relações íntimas, profundas e eventualmente duradouras com vários (as) parceiros (as) simultaneamente. Poliamor como movimento existe de um modo visível e organizado nos Estados Unidos nos últimos vinte anos, acompanhado de perto por movimentos na Alemanha e Reino Unido. Recentemente, a imprensa começou a cobrir abertamente quer o movimento poliamor em si, quer episódios que lhe são ligados. Em novembro de 2005 realizou-se a Primeira Conferência Internacional sobre Poliamor em Hamburgo, Alemanha.

Nesse tipo de amor uma pessoa pode amar seu parceiro fixo e amar também as pessoas com quem tem relacionamentos extraconjugais ou até mesmo ter relacionamentos amorosos múltiplos em que há sentimento de amor recíproco entre todas as partes envolvidas. Os poliamoristas argumentam que não se trata de procurar obsessivamente novas relações pelo fato de ter essa possibilidade sempre em aberto, mas sim de viver naturalmente tendo essa liberdade em mente. Para eles, o poliamor pressupõe uma total honestidade na relação. Não se trata de enganar nem magoar ninguém. Tem como princípio que todas as pessoas envolvidas estão a par da situação e se sentem confortáveis com ela. A idéia principal é admitir essa variedade de sentimentos que se desenvolvem em relação a várias pessoas, e que vão para além da mera relação sexual.

Nan Wise, uma psicoterapeuta americana que pratica o poliamor, reconhece que é preciso muita estabilidade emocional. Ela é casada com John Wise há 24 anos e os dois mantêm uma relação amorosa com outro casal, Júlio e Amy. Como muitas dessas relações, Nan tem com John sua “relação primária”, e com Júlio e Amy uma relação secundária, termos que servem para atribuir níveis de importância a quem participa de um mesmo grupo.

Embora a relação amorosa entre três ou mais pessoas permaneça à margem da sociedade, os que a praticam são cada vez mais visíveis ao compartilhar sua experiência. Diversos sites oferecem desde dicas para a relação entre poliamantes até músicas, ensaios, artigos de opinião, filmes e literatura de ficção sobre o assunto. A Polyamory Society é uma organização sem fins lucrativos que promove e apóia os interesses de indivíduos com relacionamentos ou famílias múltiplas.

Para a escritora americana Barbara Foster, que estuda o poliamor e o pratica com seu marido há mais de 20 anos, se trata de um movimento social muito importante e que está na moda. Os poliamoristas advertem que essa prática amorosa é uma escolha, assim como é a monogamia, e traz consigo tantos ou mais desafios. Ela definitivamente não é uma solução para um mau casamento ou outros problemas de relacionamento.

Naturalmente, ninguém chega ao poliamor de uma hora para outra, isto é resultado de um longo processo de desenvolvimento pessoal, do qual, por enquanto, poucos são capazes. É necessária toda uma revisão de conceitos, de condicionamentos culturais e emocionais, para ver as coisas a partir de outro paradigma. Entretanto, os poliamoristas também sustentam o direito de qualquer um optar pela monogamia como escolha de vida e acreditam que essa seja a escolha certa para muitas pessoas.

A psicóloga americana Deborah Anapol, autora do livro Polyamory: The New Love Without Limits diz: "Nossa cultura coloca tanta ênfase na monogamia de modo que poucas pessoas se dão conta de que podem decidir sobre quantos parceiros amorosos/sexuais desejam ter. Ainda mais difícil de aceitar é a ideia de que uma relação de múltiplos parceiros possa ser estável, responsável, consensual, enriquecedora e duradoura. Poliamor não é sinônimo de promiscuidade".

É importante ressaltar que o poliamor não é a única forma satisfatória de relacionamento amoroso. Cada pessoa deve ter o direito de escolher a que mais se adapta às suas necessidades e características de personalidade. Mário Polly, um adepto dessa prática, diz que “provavelmente, muitos anos irão passar ainda até que o poliamor seja uma forma de relacionamento universalmente aceita e praticada sem barreiras legais e preconceitos sociais. As pessoas que estão praticando o poliamor atualmente são como desbravadores de um novo continente, abrindo caminhos para chegar onde nenhum homem jamais esteve e tornar realidade a utopia de que novas formas de relacionamento são possíveis como alternativa à antiga ditadura da monogamia compulsória”.

(Regina Navarro Lins)

E você... o que pensa a respeito?