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Pessoa muito inquieta, que tem urgência em viver. Não é qualquer vida que me serve. Intensidade e verdade precisam estar presentes... Isso é que me move, me encanta, me estimule, me faz feliz!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Que seja eterno... !




Como pessoa apaixonada por futebol, não poderia deixar de expressar minha chateação com a eliminação do Barcelona da final da UEFA Champions League... Não pela eliminação "em si", mas pelos comentários provenientes dela, por parte dos torcedores do futebol "feio", sem graça, sem arte! Só que ama as conquistas obtidas pelo capricho, pelo zelo, pela competência, pelo talento, podem entender o que estou tentando dizer... 
Como não tenho o "dom da palavra", transcreverei aqui, copiado do blog do Juca Kfouri, postado em 25.04.2012, um lindo texto de Gilberto Sotto Mayor Junior, que ilustra bem o que sinto...


Guardiola acorda assustado com um vulto a noite.
- Você aqui? pergunta Guardiola.
- Sim, eu mesmo, responde o vulto.
- Perdi duas finais importantes, diz Guardiola.
- Acontece.
- A bola bateu na trave várias vezes. No fim do primeiro jogo, o goleiro deles que fechou o gol, pegou uma cabeçada impossível queima roupa no chão!
- Eu sei, parecia que ia entrar, mas o goleiro agarrou de tapinha…
- Como pode, camisa 10 do time, o melhor do mundo, perdeu um pênalti que decidiria a partida.
- Até os camisas 10 erram.
- Mas agora, os críticos dirão que o futebol bonito não ganha jogo, que é melhor escalar volantes e jogar na retranca e no contra-ataque.
- Sim, acontecerá, o futebol regredirá anos.
- Então, o que nos resta– pergunta Guardiola já com a voz embargada.
- Somente a eternidade.
E Telê desaparece na noite…

Meu pai, aquele que "se deitava no chão" por mim...



"Sabe, ouvi falar de um homem cujo amigo tinha sido preso e que todas as noites se deitava no chão do seu quarto para não gozar de um conforto de que havia sido privado aquele que ele amava. Quem, meu caro senhor, quem se deitará no chão por nós? Se eu próprio seria capaz? Escute, gostaria de ser, sê-lo-ei. Sim, seremos todos capazes, um dia, e será a salvação. Mas não é fácil, porque a amizade é distraída, ou, pelo menos, impotente. O que ela quer não pode. Acaso, no fim de contas, não o quererá bastante? Não amaremos talvez insuficientemente a vida? Já notou que só a morte desperta os nossos sentimentos? Como amamos os amigos que acabam de deixar-nos, não acha?! Como admiramos os nossos mestres que já não falam, com a boca cheia de terra! A homenagem surge, então, muito naturalmente, essa mesma homenagem que talvez eles tivessem esperado de nós durante a vida inteira. Mas sabe porque somos sempre mais justos e mais generosos para com os mortos? A razão é simples! Para com eles, já não há deveres. Deixam-nos livres, podemos dispor do nosso tempo, arrumar a homenagem entre o copo de água e uma gentil amante, nas horas vagas, em suma. Se algo nos impusessem, seria a memória, e nós temos a memória curta. Não, é o morto de fresco que nós amamos nos nossos amigos, o morto doloroso, a nossa emoção, enfim, nós próprios."
in A queda, Albert Camus