Há alguns dias fui localizada, via Internet, por ex-colegas do ensino médio, ou seja, pessoas que participaram de minha vida há 34 anos atrás...!!! Esse é, sem dúvida, o lado fascinante da tecnologia; a ciência e o progresso a favor do homem e de sua HUMANIZAÇÃO... Reencontros e encontros que jamais seriam possíveis se o Orkut, Facebook, Google, e-mail não existissem.
Bem, graças a essa parafernália nos localizamos e, obviamente, marcamos um encontro físico, pessoal, pois somos daquele tempo em que nada substituía o "olho no olho", a pele na pele: o abraço, o beijo, o cheiro...
Como o encontro ainda não ocorreu, não posso contar nada. Mas me aguardem, pois certamente ele será alvo de comentários, fotos, sensações que postarei aqui nesta outra maravilha virtual, chamada BLOG... (preciso confessar que estou irremediavelmente apaixonada por esse "Coisas da vida"...).
Enquanto aguardamos ansiosos pelo dia desse reencontro, temos trocado e-mails, postagens no Facebook e pude perceber que estamos todos à vontade, como quem continua de onde parou... As brincadeiras e os relacionamentos fluem de maneira muito próxima, afetiva, "íntima", como se mais de 30 anos não nos separassem!
Isso me fez pensar em tantas coisas para as quais não encontrei explicação, no que tange à qualidade das relações. Estaria eu idealizando as amizades antigas, porque elas encontram-se apenas na memória, e temporalmente muito distantes? Ou esqueci-me de todos os aspectos negativos que possa ter vivenciado, e passei a valorizar só o que houve de positivo (memória seletiva)?
Não admiti nenhuma dessas hipóteses, após muito analisar. Minha geração foi realmente privilegiada! Talvez por conta do contexto histórico dos anos 60-70, de repressão, censura e outros "bichos", tivéssemos que ser mais criativos para nos expressarmos e mais unidos para nos protegermos... Tínhamos uma vida cultural tão fervilhante, intensa! Cada pessoa tinha uma "marca registrada" no seu jeito de vestir, na sua aparência, nas preferências... Não éramos "pasteurizados" e a mídia não ditava comportamentos, modinhas, gosto musical goela abaixo! Tudo era devidamente questionado, selecionado.
Havia moças de cabelos cacheados, lisos, pixaim; usava-se minis, midis, máxis. Cada uma com seu estilo, muita personalidade em tudo... Por isso, creio eu, essa sensação de "complementaridade" que um causava no outro. Por isso aprendíamos e ensinávamos tanto, uns aos outros. E o jeito de ser, tão especial, tão único, fez com que jamais nos esquecéssemos e desejássemos nos rever, e "beber daquelas águas" novamente... Sabemos com quem vamos nos reencontrar.
E, comparativamente, o que percebo hoje, preponderantemente, são relacionamentos baseados na conveniência, na "utilidade", no transitório, no instantâneo, no efêmero, no superficial... Isso me choca, me incomoda, me deprime e me assusta! Parece que as pessoas "tramam" umas contra as outras. É muito estranho... Há pouca transparência e é preciso muito cuidado para não se cair em armadilhas, chantagens, segundas intenções, maledicências, verdadeiros "golpes"! Surpreendo-me a cada dia com esse tipo de comportamento, e vivo desconfiada, pois sei que não sou boa para conspirar contra outros, e não sei como essas mentes funcionam! Sou presa fácil, digamos assim...
Desse modo, igual a tudo na vida, a Internet pode ser o Céu, e trazer seus melhores amigos de volta à sua vida, ou o Inferno da invasão de privacidade, do golpismo, da desilusão com o ser humano, do encontro de um verdadeiro submundo...
"É preciso estar atento e forte", como dizia Caetano, na voz de Gal... Ah, maravilhosos anos 70, que não voltam mais (mas quea Internet fazia falta... ah, isso fazia, viu?)! Vai entender...


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