No início dos anos 80 (tempos felizes!) havia um programa de entrevistas EXCELENTE na tv, comandado por Roberto D' Ávila, chamado "Conexão Internacional". O jornalista realizava fantásticas conversas com seus convidados (onde esses - os entrevistados - é que brilhavam e FALAVAM, diferentemente do que vemos hoje, quando os entrevistadores se utilizam dos interlocutores como "escadas", para fazerem sua fama e piadinhas...).
Pois bem, um desses inesquecíveis encontros de D' Ávila foi, nada mais, nada menos, com Fidel Castro. À época, estávamos todos esbravejando aqui no Brasil, pois queríamos "Diretas já" (quem tiver mais de 40 anos, sabe do que estou falando...).
Perguntado sobre o tema eleição, o "comandante" disparou algo assim (infelizmente não é literal): "Eleição para quê? Para escolher quem é o mais bonito, quem fala melhor? E quanto gasta-se nesse processo?"... Hummm... Após alguns anos, essas questões calaram fundo em mim, reverberaram... e ele me convenceu de que não passa disso mesmo!
Tratamos o fato de haver eleição como um sinônimo "em si" de democracia, e não é assim que ocorre! A democracia (que tornou-se uma palavra abstrata, relativa, usada como o nome de Deus, ou seja: em vão...) pressupõe muito mais coisas ao meu entender, que transcendem o mero gesto de votar... Perdi a fé e a esperança DE VEZ, depois que as eleições diretas se estabeleceram em nosso país!
Senti-me traída pelo "LULA-LÁ", sabem...? Meu voto não serviu à revolução na EDUCAÇÃO, nem na saúde! Só ajudou a entrarmos num tempo em que os bancos tiveram mais lucros do que nunca... num tempo em que o sistema financeiro riu à toa... e que o Cristóvão Buarque (ex-ministro da Educação, uma grande esperança daquilo que eu esperava daquele governo!) foi demitido por telefone, estando em outro continente (lembram-se disso?), pois apoiara uma greve de estudantes pela melhoria da educação... Que tristeza, que traição!
Hoje, dia 03 de Outubro de 2010, declaro aqui meu voto:
VOTO EM VOCÊ, FIDEL!


Olá Soninha!A felicito pelo blog.
ResponderExcluirQuanto a questão das eleições, o problema esta nas estruturas que sustentam as pilastras deste sistema.
Ao contrário do que muitos pensam, o problema não está na gerência do Estado, mas na manutenção destas estruturas.
Lógico, ainda ninguém se opôs a isso, até porque, seria necessário apoio da população para realizar este tento.
O problema é, que no atual governo, as medidas paleativas nada mais fez do que acalmar as investidas dos movimentos, estes, eram importantes para a afronta destes laços de servidão social imperante, ou seja, as ditas "conquistas", serviram para anestesiar as lutas e anestesiar a consciência de que vivemos em luta de classes.
O que fazer? Preparar para uma revolução cultural, tentando preparar a próxima geração para olhar o mundo de maneira mais crítica.
Abraços!
Olá, Kel!
ResponderExcluirMuito bom vê-lo por aqui... Obrigada!
Exatamente como você disse, essas "mudanças" ("conquistas", como bem colocou) são as típicas CONCESSÕES da elite; o "mudar" para não MUDAR!
Para mim, que por sorte, sou de uma geração anterior, é triste assistir à decadência cultural, educacional e social de forma tão galopante. É a pasteurização do discurso, da opinião, do pensamento, de tudo enfim... Desanimador!
Beijo, querido, e volte sempre...