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Pessoa muito inquieta, que tem urgência em viver. Não é qualquer vida que me serve. Intensidade e verdade precisam estar presentes... Isso é que me move, me encanta, me estimule, me faz feliz!

sábado, 2 de junho de 2012

As perguntas do menino Neruda...



Provavelmente, a inquietação seja uma das características mais importantes e determinantes para o educador, ainda mais na educação profissional tendo como base as competências...

Sinto que não tenho muitas respostas ou afirmações, mas tenho muitas perguntas. Isso me fez lembrar do "Livro das Perguntas" de Pablo Neruda.

Essa característica tão pueril, tão "infantil" (temos "a idade dos porquês"!), permanece viva em alguns homens, e esses, são os gênios verdadeiros, a meu ver... Neruda não deixou "morrer" o menino curioso que havia nele!

Deixo um poema aqui:

"Tem coisa mais boba na vida
que chamar-se Pablo Neruda?

A quem posso perguntar
que vim fazer neste planeta?


E que importância tenho eu
no tribunal do esquecimento?

(...)


Onde está o menino que fui
segue dentro de mim ou se foi?

(...)

Por que estivemos tanto tempo
crescendo para nos separarmos?

Quando minha infância se foi
por que nós dois não fomos junto?

Ainda ontem disse aos meus olhos:
quando de novo nos veremos?

(...)

Em que janela me quedei
contemplando o tempo que já foi?

Ou o que contemplo longe
é o que não vivi ainda?

(...)

Quem me mandou desvencilhar
as portas do meu próprio orgulho?


Por que me movo sem querer?
Por que estou sempre desinquieto?

E se minh'alma desabou
por que meu esqueleto prossegue?

Por que vou rodando sem rodas
e voando sem asas nem penas?

Por que minha roupa desbotada
se agita como uma bandeira?

E que bandeira tremulou
no espaço em que não me esqueceram?

(...)
E, onde termina o espaço
se chama de morte ou infinito?

Por que voltei à indiferença
do oceano desmedido?

Achas que o luto te antecipa
à bandeira do teu destino?


Por que fechei os meus caminhos
caindo no engano do mar?


(...)

Onde terminará o arco-íris:
dentro da alma ou no horizonte?

Não será nossa vida um túnel
entre duas vagas claridades?

(...)

Devo escolher esta manhã
entre o céu e o mar, tudo ou nada?

(...)"

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